Ibovespa Salta para 174 Mil Pontos com Aposta em Juros Menores

Ibovespa sobe 0,74% e fecha a 174.070 pontos, maior nível em um mês. Produção industrial fraca em maio reforça apostas de corte na Selic em agosto.

Ibovespa Salta para 174 Mil Pontos com Aposta em Juros Menores

O Ibovespa encerrou a sexta-feira (3) em alta expressiva, atingindo 174.070,27 pontos. Esse patamar representa o maior nível do índice em um mês, impulsionado pela expectativa de que o Banco Central possa realizar um corte de pelo menos 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, já em agosto. A liquidez do mercado foi reduzida devido ao feriado nos Estados Unidos, mas dados de produção industrial abaixo do esperado em maio foram suficientes para reanimar o interesse dos investidores em ativos de maior risco.

## Foco em Juros e Ações Atrativas

Analistas de renda variável destacam que um cenário de juros mais baixos tende a beneficiar diretamente os lucros das empresas. Paralelamente, a avaliação das ações brasileiras ainda é considerada atrativa pelos operadores do mercado. Após abrir o dia em leve queda, chegando a 172.790,39 pontos, o Ibovespa recuperou terreno e alcançou a máxima de 174.664,35 pontos durante a tarde, um avanço de 1,09%. O giro financeiro do dia foi de R$ 12,62 bilhões, inferior à média diária usual.

Na semana, o índice acumulou uma alta de 0,45%, e no ano, o desempenho positivo chega a 8,03%. A maioria das empresas consideradas "blue chips" (ações de grandes companhias com alta liquidez) apresentaram valorização. Entre elas, Petrobras (ON e PN) e Vale ON registraram ganhos. Bancos como Bradesco e BTG Pactual também tiveram desempenho positivo, com exceção do Banco do Brasil ON, que fechou em leve queda. Um destaque individual foi a Ultrapar (UGPA3), que saltou 3,50% após notícias sobre o interesse da canadense Couche-Tard em adquirir uma participação na Ipiranga.

## Dados da Indústria Reforçam Tese de Corte da Selic

A Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada na sexta-feira revelou uma retração de 0,2% na produção industrial em maio, um resultado que ficou abaixo das projeções do mercado. Esse desempenho negativo, tanto na indústria extrativa quanto na de transformação, reforça a visão de que a economia brasileira pode estar desacelerando, abrindo caminho para uma política monetária mais frouxa. Especialistas apontam que essa fraqueza pode levar o Banco Central a considerar um novo corte na Selic em sua próxima reunião.

## Perspectivas e Cenário Futuro

Diante desse cenário, a curva de juros futuros apresentou uma queda, influenciada também por declarações do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, que sinalizou a possibilidade de intervenções do Tesouro Nacional para estabilizar as taxas. A visão predominante é que a queda nos juros futuros impacta positivamente o fluxo de caixa das empresas, o que, por sua vez, tende a impulsionar os lucros e, consequentemente, o valor das ações.

Apesar da alta recente, o otimismo para a próxima semana parece moderado entre os participantes do mercado. Pesquisas indicam que a maioria projeta uma queda para o Ibovespa nos próximos dias. Para que o índice consolide uma tendência de alta no curto prazo, ele precisaria superar a resistência na região dos 174.900 pontos, segundo análise técnica.