Gastos não essenciais corroem contas públicas e alertam sobre futuro fiscal

Governo central registra déficit de R$ 53 bi com alta expressiva de gastos não obrigatórios. Analista alerta para impacto na arrecadação e risco de desaceleração econômica.

Gastos não essenciais corroem contas públicas e alertam sobre futuro fiscal

O Tesouro Nacional divulgou um cenário fiscal preocupante nesta segunda-feira (29), com o governo central registrando um déficit primário que superou a marca de R$ 53 bilhões. A análise aponta para uma aceleração expressiva das despesas não obrigatórias como o principal motor dessa deterioração, levantando alertas sobre o equilíbrio das contas públicas no médio prazo.

## Aumento Acelerado de Gastos Discricionários

Segundo a analista Lucinda Pinto, em participação no programa Hora H, o déficit primário de R$ 53,257 bilhões foi significativamente influenciado por gastos que o governo tem discricionariedade para executar, as chamadas despesas discricionárias. Esses gastos registraram um aumento notável de 128%, em contraste com um crescimento de 5,5% nas receitas no mês de maio. Enquanto a arrecadação do governo atingiu níveis recordes, ela não conseguiu acompanhar o ritmo acelerado das despesas totais, que saltaram de R$ 2,39 trilhões para R$ 2,63 trilhões no período analisado.

## Impacto na Arrecadação e Necessidade de Aumento Tributário

A especialista ressaltou que a sustentação desse patamar de gastos, sem um acompanhamento proporcional da arrecadação, pode forçar o governo a buscar fontes adicionais de receita, como o aumento de impostos. Essa medida, por sua vez, tem o potencial de impactar negativamente o setor produtivo e o bolso dos cidadãos, gerando um ciclo vicioso de dificuldades econômicas.

## Risco de Desaceleração Econômica e Política Monetária

Lucinda Pinto também trouxe à tona a preocupação com a política monetária atual. Com as taxas de juros elevadas, o Banco Central busca uma desaceleração da economia como forma de controlar a inflação. No entanto, essa desaceleração pode reduzir ainda mais o ritmo de arrecadação do governo, tornando o desafio de equilibrar as contas públicas ainda mais complexo. A analista alertou que a discussão sobre a sustentabilidade fiscal não é para daqui a anos, mas sim para o futuro próximo, impactando o próximo governo.

## Mercado Financeiro Atento e Volume Reduzido

No fechamento do mercado financeiro desta segunda-feira, o Ibovespa apresentou uma leve queda de 0,05%, com um volume de negócios significativamente abaixo da média, em torno de R$ 10 bilhões. O dólar, por sua vez, encerrou o dia com uma pequena alta, cotado a R$ 5,17. Para os próximos dias, o mercado aguardará dados do mercado de trabalho, que podem influenciar as expectativas sobre possíveis cortes na taxa de juros.