Flávio Bolsonaro propõe 180 dias de trégua antes de tarifas dos EUA

Flávio Bolsonaro propõe aos EUA suspensão de tarifas por 180 dias para negociação antes de taxações sobre produtos brasileiros. Documento de 86 páginas sugere mecanismo de 'snapback'.

Flávio Bolsonaro propõe 180 dias de trégua antes de tarifas dos EUA

O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apresentou uma proposta ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para evitar a aplicação imediata de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Em um documento de 86 páginas, enviado nesta quinta-feira (2 de julho de 2026), o senador sugere a abertura de um período de negociação de 180 dias entre Brasil e Estados Unidos antes que quaisquer medidas punitivas entrem em vigor.

## Mecanismo de 'Snapback' e Negociação

No cerne da proposta está um mecanismo de "snapback", ou retorno automático, que funcionaria como uma última tentativa de acordo. Segundo a sugestão de Flávio Bolsonaro, as tarifas seriam suspensas por 180 dias, com possibilidade de extensão por mais 90 dias, caso as negociações apresentem avanços concretos e sejam conduzidas de boa-fé. Sem progresso satisfatório, as tarifas seriam restabelecidas automaticamente.

O senador argumenta que esse período de suspensão permitiria ao governo brasileiro participar de negociações de forma mais produtiva, sem a pressão do calendário eleitoral. Caso a oposição vença as eleições presidenciais em 2026, o novo presidente eleito nomearia imediatamente um negociador para dar seguimento às tratativas. A proposta visa eliminar a volatilidade causada por ganhos eleitorais e restaurar uma relação comercial mutuamente benéfica.

## Contexto da Investigação Norte-Americana

A manifestação de Flávio Bolsonaro ocorre em meio a uma investigação conduzida pelos Estados Unidos sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Esta lei permite apurar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses americanos. Entre os pontos de atenção dos EUA para o Brasil estão o comércio digital, o sistema de pagamentos instantâneos Pix, tarifas, combate à corrupção, propriedade intelectual, o setor de etanol e o desmatamento.

Flávio Bolsonaro, em seu documento, ressalta que medidas tarifárias anteriores não alteraram o comportamento das autoridades brasileiras e, em vez disso, acabaram fortalecendo politicamente o governo em exercício. Ele cita pesquisas de opinião pública que indicam um fortalecimento da posição eleitoral do governo atual justamente durante períodos de maior pressão tarifária por parte dos EUA. Essa dinâmica, segundo o senador, pode dificultar negociações mais amplas, transformando disputas comerciais em ferramentas eleitorais.

## Base Legal e Interesse Econômico

O senador também fundamenta sua proposta na própria legislação americana, que permite adiar a implementação de certas medidas por até 180 dias. Essa prerrogativa é aplicável quando o adiamento está em consonância com o interesse econômico nacional e quando negociações substanciais estão em andamento ou prestes a começar. O documento enviado ao USTR argumenta que ambas as condições estão presentes no caso brasileiro, oferecendo uma perspectiva de resolução satisfatória e evitando a aplicação de tarifas amplas que poderiam gerar custos significativos.