EUA: 250 anos de prosperidade sob nova onda de protecionismo
EUA completam 250 anos com economia próspera, mas enfrentam inflação, tarifas comerciais protecionistas e déficits fiscais crescentes, afastando-se de seus princípios fundadores.

Os Estados Unidos celebram seu 250º aniversário em meio a um cenário econômico que, apesar de resiliente, carrega as marcas de profundas transformações e pressões crescentes. A nação, historicamente um bastião do livre comércio, agora se vê imersa em uma onda de protecionismo comercial, enquanto suas contas públicas apontam para um caminho de insustentabilidade.
## A Inflação e as Mudanças Estratégicas
O país, que não estava acostumado a índices inflacionários elevados, experimentou um pico de 9,1% em junho de 2022, reflexo da pandemia e de fatores de demanda. Embora a inflação anual tenha recuado para 4,2% em maio deste ano, o número ainda se mantém acima da meta do Federal Reserve (o Banco Central americano) e representa um desafio incomum para os consumidores. Essa situação é, em parte, atribuída a mudanças estratégicas na Casa Branca, que se afastam dos preceitos fundadores da nação.
Jared Bernstein, ex-conselheiro econômico durante o governo Joe Biden, aponta que as ações de administrações recentes, especialmente no que tange a tarifas, contribuíram para a elevação da inflação, perpetuando o sofrimento dos cidadãos com o custo de vida.
## A Guerra Comercial e o Tarifaço
A partir de 2 de abril de 2025, Donald Trump inaugurou uma nova fase nas relações comerciais dos EUA com o resto do mundo, marcada por tarifas. A promessa de campanha de fortalecer a economia americana através de tarifas visava, por um lado, atrair investimentos para a indústria nacional e, por outro, reduzir o persistente déficit na balança comercial. No entanto, a estratégia não produziu os resultados esperados.
Investimentos significativos na indústria não se materializaram, e o déficit comercial, longe de diminuir, apresentou um aumento considerável. Em 2024, o déficit atingiu US$ 918,4 bilhões, um salto de 17% em relação ao ano anterior. Em 2025, o valor foi de US$ 901,5 bilhões.
Após retornar à Casa Branca, Trump intensificou a imposição de tarifas recíprocas a aliados e tarifas retaliatórias à China. Uma taxa de 50% foi aplicada, por exemplo, contra o Brasil. Essas medidas, além de retirarem o país de acordos de livre comércio, pressionaram os preços internos e geraram desconfiança internacional.
## Desafios Legais e Acordos Comerciais
Apesar de a Suprema Corte ter declarado ilegal parte do tarifaço de Trump, o ex-presidente buscou amparo em outras legislações para manter algumas tarifas. As ações comerciais de Trump violaram acordos da OMC e tratados bilaterais, como o USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá). A recusa em renovar o USMCA em sua forma atual, embora com afirmações de continuar negociações, adiciona incertezas às relações com os vizinhos.
## Conflitos e Impactos Econômicos
Adicionalmente, o conflito no Oriente Médio, que se intensificou no final de fevereiro de 2026, também gerou impactos nos preços, adicionando mais uma camada de complexidade à já delicada situação econômica americana. A combinação de protecionismo, tensões geopolíticas e a deterioração das contas públicas coloca os Estados Unidos diante de um futuro incerto, mesmo celebrando seu bicentenário.