Elétricos para Empresas: Simplicidade e Custo Baixo Ganham Espaço
Veículos comerciais elétricos no Brasil apostam em simplicidade e baixo custo para atrair frotistas. Modelos mais espartanos visam reduzir o TCO e acelerar o retorno sobre investimento, competindo com opções a diesel.

O mercado de veículos comerciais elétricos no Brasil está traçando um caminho distinto do segmento de automóveis eletrificados. Em vez de focar em pacotes robustos de equipamentos, a estratégia para picapes, furgões e pequenos caminhões elétricos reside na simplicidade e no baixo custo. Essa abordagem visa atrair empresas, onde o Custo Total de Propriedade (TCO) é o principal motor para a renovação de frotas.
Consultores do setor, como Fernando Trujillo da S&P Global, apontam que a atratividade desses veículos está diretamente ligada ao retorno sobre o investimento. "Faz sentido esses veículos serem elétricos e simples em termos de equipamentos por conta disso", explica Trujillo, destacando que a premissa é que quanto mais rápido o investimento se pagar, melhor para as companhias.
A crescente atenção à agenda ESG (Ambiental, Social e Governança) também tem impulsionado frotistas a considerar opções elétricas, especialmente para entregas urbanas. No entanto, a adoção em larga escala ainda enfrenta desafios. Rodrigo Pikussa, diretor executivo da Farizon, uma das novas marcas de veículos comerciais elétricos no mercado nacional, descreve o segmento como "um mercado em construção". Ele observa que muitas empresas iniciam a transição com projetos-piloto de dez a quinze veículos antes de expandir.
Pikussa ressalta que a proposta de modelos elétricos mais simples é pensada para competir em nichos onde veículos como a Fiat Strada e a Renault Master já lideram com propostas menos equipadas. "Há a questão tributária também. Os veículos precisam ser mais simples para que o preço por aqui seja competitivo, uma vez que os modelos elétricos importados são tributados", afirma. A simplicidade, segundo ele, alinha-se à preferência histórica do consumidor por veículos de trabalho mais básicos, como comprovam os números de vendas.
A conversão de clientes para o elétrico em frotas passa pela demonstração de redução de custos. Embora a manutenção de um veículo elétrico seja inferior à de um modelo a diesel, a expectativa é que o custo total de operação se iguale aos modelos a combustão em cerca de cinco anos. Nos Estados Unidos, a estratégia de preços acessíveis é igualmente crucial para a popularização. A startup Slate Auto, com investimento da Amazon, planeja lançar uma picape por cerca de US$ 20 mil, com acabamento básico e funcionalidades que remetem a carros mais antigos, como vidros manuais e uso extensivo de plástico.
Um diferencial notável da picape da Slate é a aplicação de vinil na carroceria em vez de pintura, uma medida para baratear o produto. No Brasil, a Farizon segue uma linha semelhante com seus furgões V6E e Supervan e o caminhão leve H9E, cujos preços partem de R$ 260 mil. Esses valores são competitivos quando comparados a alternativas a diesel, abrindo um leque de oportunidades em um mercado ainda em desenvolvimento.