Duplicata escritural: R$ 11 trilhões de crédito para empresas
Banco Central lança duplicata escritural para destravar R$ 11 trilhões em crédito empresarial. Nova tecnologia digitaliza recebíveis, aumentando segurança, transparência e acesso a financiamentos.

O cenário empresarial brasileiro está à beira de uma transformação profunda. Inspirado pela revolução que o Pix trouxe aos pagamentos, o Banco Central lançou oficialmente o ecossistema da duplicata escritural, uma iniciativa com potencial para liberar aproximadamente R$ 11 trilhões em crédito para companhias de todos os portes. A primeira fase de testes do novo sistema iniciou em julho, marcando o começo de uma mudança radical na obtenção de capital de giro, na negociação de recebíveis e no acesso a financiamentos.
A iniciativa visa modernizar o mercado de duplicatas, que movimenta entre R$ 10 trilhões e R$ 13 trilhões anualmente. Atualmente, apenas uma fração desse volume (10% a 15%) é utilizada como garantia em operações de crédito. A digitalização completa desses títulos, segundo o mercado financeiro, tornará os recebíveis mais seguros, transparentes e fáceis de negociar, ampliando a oferta de crédito e reduzindo custos para as empresas.
## Fim do Papel, Início da Era Digital
A duplicata escritural extingue o documento físico, substituindo-o por um registro eletrônico mantido por entidades autorizadas pelo Banco Central. Todo o ciclo de vida do título – emissão, aceite, cessão, antecipação e liquidação – será rastreado digitalmente. Essa mudança resolve um problema crônico do mercado de recebíveis no Brasil: a falta de clareza, padronização e a insegurança jurídica.
"O que antes era apenas um documento mercantil entre comprador e fornecedor passa a ter valor financeiro, porque ele é totalmente rastreável, único e autenticado, podendo servir como lastro para operações de crédito", explica Edson Silva, fundador e presidente da Nexxera. A duplicata deixará de ser um documento passível de extravio ou duplicidade para nascer, circular e ser liquidada inteiramente em meio digital, com registro único e rastreável, segundo Fernando Fontes, CEO da CERC.
## Transição Gradual e Impacto nas Pequenas Empresas
A implantação da obrigatoriedade do novo sistema ocorrerá de forma gradual. A partir de junho de 2027, as grandes empresas serão as primeiras a se adaptar, seguidas pelas médias em dezembro de 2027 e, finalmente, pelas pequenas empresas em junho de 2028. Essa transição planejada visa garantir a adaptação do mercado e a estabilidade do sistema financeiro.
O principal objetivo econômico da duplicata escritural é democratizar o acesso ao crédito. Pesquisas indicam que 88% das instituições financeiras acreditam que o novo modelo aumentará a oferta de crédito no país. Para 63% dos entrevistados, a expansão do crédito disponível será o principal indicador de sucesso, enquanto 41% apostam na redução do custo das operações. A expectativa é que a maior transparência e a redução da assimetria de informações permitam a entrada de novos agentes no financiamento de empresas, aumentando a concorrência e beneficiando, em especial, as pequenas e médias empresas.