Dolly: Pedido de Falência Revela Crise e Mudança no Consumo

Grupo Dolly, gigante das bebidas, enfrenta pedido de falência por dívidas tributárias de R$ 15,7 bilhões. Especialista aponta crise como reflexo de má gestão e mudanças no mercado consumidor.

Dolly: Pedido de Falência Revela Crise e Mudança no Consumo

As procuradorias do Estado de São Paulo e da Fazenda Nacional protocolaram um pedido conjunto de falência contra o Grupo Dolly, um dos mais tradicionais fabricantes de refrigerantes do país. A ação, que tramita na segunda vara de falências e recuperações judiciais de São Paulo, alega que a empresa teria utilizado o processo de recuperação judicial, iniciado em 2018, para adiar a quitação de débitos tributários, sem apresentar soluções efetivas para regularizar sua situação.

O passivo tributário do Grupo Dolly é estimado em R$ 15,746 bilhões. A petição aponta ainda suspeitas de manipulação contábil, transferência de patrimônio entre as empresas do grupo e confusão patrimonial, indicando uma gestão que pode ter se distanciado das práticas de governança corporativa.

## Próximos Passos e Análise Especializada

O pedido de falência agora aguarda a decisão do juiz responsável. Caso a falência seja decretada, os administradores serão afastados e os ativos da empresa serão liquidados para o pagamento das dívidas. Especialistas avaliam que a recuperação judicial, embora seja uma ferramenta importante para a preservação de negócios e empregos, pode se tornar um obstáculo quando utilizada apenas para postergar problemas.

Jessica Costa, especialista em gestão empresarial, comentou que a situação da Dolly demonstra que uma marca forte, por si só, não garante a sustentabilidade de uma empresa. "Uma marca tão forte como a Dolly não substitui eficiência, não substitui solidez na gestão empresarial, não substitui governança", afirmou Costa, ressaltando a necessidade de pilares sólidos para a continuidade de qualquer negócio.

## Transformação do Mercado de Bebidas

A crise da Dolly também reflete as profundas mudanças no comportamento do consumidor e no mercado de bebidas. Segundo a especialista, o setor de refrigerantes e produtos com alto teor de açúcar enfrenta uma concorrência crescente de energéticos, águas saborizadas, bebidas funcionais, chás, isotônicos e sucos prontos. Essa diversificação exige das empresas do ramo uma adaptação rápida e constante, com foco em inovação.

Costa explicou que a Dolly enfrentou, simultaneamente, essa transformação no consumo, o surgimento de novos concorrentes e um cenário econômico mais desafiador, marcado pelo aumento da taxa Selic. A falta de investimento em inovação, capacidade logística, distribuição e capital de giro, somada a uma gestão que não acompanhou as novas demandas, contribuiu para o quadro atual.

## Futuro dos Ativos da Marca

Sobre o futuro da marca Dolly, a expectativa é que o consumidor não seja imediatamente afetado, com a continuidade da produção e distribuição em um primeiro momento. No entanto, a aquisição da operação por um fabricante regional é vista como um cenário provável, o que poderia revitalizar a marca sob nova gestão. A situação da Dolly serve como um alerta para o setor de bebidas sobre a importância da adaptação e da gestão eficiente em um mercado em constante evolução.