CEO da ExxonMobil vira herói do petróleo com virada histórica

CEO da ExxonMobil, Darren Woods, lidera recuperação histórica da empresa com foco em expansão de produção de petróleo, superando concorrentes e críticas ambientais.

CEO da ExxonMobil vira herói do petróleo com virada histórica

A ExxonMobil, sob a liderança de Darren Woods, protagonizou uma das mais notáveis recuperações na indústria petrolífera global. Em uma assembleia recente, a empresa celebrou a mudança de sua sede legal de Nova Jersey para o Texas, um movimento que, apesar de controverso para alguns acionistas, sinaliza uma nova fase.

Woods, que comanda a maior petroleira não estatal do mundo, anunciou que a produção de petróleo e gás da companhia atingiu o nível mais alto em 40 anos. Ele projeta um futuro promissor, descrevendo-o como "o mais brilhante da história da empresa". Essa declaração contrasta fortemente com o cenário de apenas cinco anos atrás.

Em 2021, a Exxon enfrentou um período turbulento. O fundo ativista Engine No. 1 conseguiu remover três diretores da empresa, impulsionado por preocupações com as políticas climáticas e o desempenho financeiro. A pandemia de Covid-19 agravou a situação, com o colapso na demanda por petróleo e a consequente queda no valor das ações. Por um tempo, a Chevron chegou a superar a Exxon em valor de mercado, e a empresa foi até removida do prestigiado índice Dow Jones.

Woods, engenheiro eletricista com 34 anos de casa e CEO desde 2017, apostou em uma estratégia de crescimento focada na expansão da produção de petróleo. Enquanto rivais como BP e Shell direcionavam investimentos para energias renováveis, a Exxon destinou US$ 60 bilhões para o desenvolvimento de reservas na Guiana, adquiriu participação em um projeto de gás natural liquefeito (GNL) no Catar e comprou a Pioneer Natural Resources por US$ 60 bilhões, consolidando-se como a maior produtora na bacia do Permiano.

Essa ousadia estratégica foi beneficiada por fatores externos. A guerra na Ucrânia impulsionou os preços do petróleo em 2022, e a perspectiva de políticas mais favoráveis aos combustíveis fósseis com a possível volta de Donald Trump à presidência dos EUA também contribuiu. Nos últimos cinco anos, as ações da Exxon valorizaram 115%, superando concorrentes americanas e europeias, e a empresa reassumiu a liderança em reservas e rentabilidade.

Analistas creditam o sucesso à disciplina de Woods em manter investimentos mesmo em períodos de baixa e a um agressivo corte de custos. A Exxon afirma ter economizado mais de US$ 15 bilhões desde 2019 através da simplificação estrutural, fechamento de escritórios, adoção de novas tecnologias e redução de cerca de 13 mil postos de trabalho na última década.

Contudo, a empresa ainda enfrenta críticas. Ex-funcionários relatam uma cultura corporativa competitiva e hierárquica, com um sistema de avaliação de desempenho que pode desestimular questionamentos. A Exxon também lida com acusações de minimização dos riscos das mudanças climáticas, apesar de pesquisas internas indicarem conhecimento sobre os efeitos desde os anos 1970, alegações que a companhia nega.