CEO alerta: Redução da jornada exige transição mais longa no Brasil
CEO da Assertif defende transição mais longa para redução da jornada de trabalho no Brasil, citando exemplos internacionais e alertando para 'duplo choque' com reforma tributária.

A proposta de redução da jornada de trabalho no Brasil, que avança no Senado após debate temático, precisa de um período de transição significativamente mais longo do que o atualmente previsto. Essa é a avaliação de José Guilherme Sabino, CEO da Assertif, que argumenta que os 14 meses aprovados pela Câmara dos Deputados são insuficientes para uma adaptação segura e eficaz do mercado. Ele compara o cenário brasileiro com experiências internacionais, como as de Chile e México, que tiveram períodos de transição de quatro e cinco anos, respectivamente, para implementar medidas semelhantes.
## Impactos econômicos e desafios setoriais
Sabino aponta que a aprovação apressada da redução da jornada, combinada com a iminente reforma tributária a partir de janeiro de 2027, pode gerar um "duplo choque" para as empresas brasileiras. O aumento dos custos operacionais, especialmente com a folha de pagamento, tende a ser repassado ao consumidor final, elevando a inflação. Além disso, o especialista ressalta que os ganhos de produtividade e geração de empregos observados em outros países após a redução da jornada não foram "substanciais", o que reforça a necessidade de cautela.
Para mitigar riscos, o CEO da Assertif sugere a realização de testes piloto em setores específicos da economia. Essa abordagem permitiria avaliar os reais efeitos da medida em diferentes realidades empresariais antes de uma implementação em larga escala. Ele também destaca a dificuldade crescente de contratação em diversos setores, mesmo com o baixo índice de desemprego, o que pode ser agravado pela necessidade de mais turnos de trabalho e, consequentemente, mais pessoal.
## Inteligência artificial e o futuro do trabalho
Em um cenário de rápidas transformações, Sabino enfatiza a importância de as empresas não se limitarem à discussão da jornada de trabalho. A adaptação à reforma tributária e, principalmente, à inteligência artificial (IA) são cruciais para a sustentabilidade dos negócios. Ele alerta que a IA já está substituindo carreiras e que a falta de investimento em eficiência tecnológica pode comprometer o futuro de muitas companhias. "É um momento de impacto econômico e no emprego muito grande que o Brasil e o mundo estão vivendo", concluiu.
A discussão sobre a redução da jornada de trabalho continua em pauta no Senado, mas a opinião de especialistas como Sabino reforça a necessidade de um debate aprofundado, considerando os múltiplos fatores econômicos e sociais envolvidos, e buscando caminhos que equilibrem direitos trabalhistas com a saúde financeira das empresas e a estabilidade econômica do país.