Canetas Emagrecedoras: Risco ou Oportunidade na Bolsa?

Investidores temem queda nas margens das farmacêuticas com canetas emagrecedoras, mas XP Investimentos aponta potencial de volume e competição favorável.

Canetas Emagrecedoras: Risco ou Oportunidade na Bolsa?

O mercado farmacêutico brasileiro, que via nas canetas emagrecedoras um motor de crescimento e lucratividade, agora as encara com uma nova perspectiva: a de risco. Uma reviravolta que tem gerado apreensão entre investidores, conforme apontado em relatório da XP Investimentos divulgado na última quinta-feira.

A onda de quedas nas ações de empresas do varejo farmacêutico listadas na B3 reflete a incerteza sobre o comportamento futuro dos preços e das margens de lucro dessa categoria de medicamentos. O receio principal é que a intensa concorrência e a chegada de versões genéricas levem a uma deflação agressiva nos preços, impactando o faturamento das companhias antes que elas consigam compensar as perdas com volumes de venda.

## Reação Desproporcional do Mercado?

Contudo, a XP Investimentos, assim como o Itaú BBA, avalia que a reação do mercado e a consequente queda nos papéis possam ter sido exageradas. Analistas da XP consideram o cenário atual favorável para o investidor e mantêm recomendação de compra para as três principais empresas do setor sob sua cobertura: RD Saúde (RADL3), Pague Menos (PGMN3) e Panvel (PNVL3). A RD Saúde é apontada como a preferida, devido à sua solidez em um momento de transição.

## Potencial de Crescimento Inegável

Longe de representar uma ameaça à estagnação, projeções indicam que o mercado de medicamentos baseados no hormônio sintético GLP-1 tem potencial para uma expansão acelerada. Espera-se que o faturamento da categoria atinja R$ 26,8 bilhões em um futuro próximo, com potencial de quadruplicar de tamanho a longo prazo. Essa projeção sustenta a tese de que o setor possui um forte potencial estrutural.

## Dinâmica de Preços e Volume

A preocupação central dos investidores é que as canetas emagrecedoras gerem menor lucro individual para as farmácias. O lançamento de novas alternativas e a correção de preços já observada em produtos como o Mounjaro alimentam esse temor. A XP, no entanto, argumenta que preços mais baixos e opções de parcelamento podem democratizar o acesso, atraindo consumidores de classes B e C1 e liberando uma demanda reprimida. A aposta é que o aumento expressivo na quantidade de unidades vendidas se torne o principal motor financeiro, superando o impacto da redução de preço por unidade.

## Margens e Competição no Setor

Outro ponto de apreensão é o comportamento da margem bruta das alternativas de semaglutida. Existe o temor de revisões negativas de lucros caso as farmácias precisem sacrificar rentabilidade para liquidar estoques ou competir com descontos agressivos. A análise da XP, porém, sugere que a própria dinâmica competitiva da indústria farmacêutica pode mitigar esse risco. Com o lançamento de novos laboratórios e a possibilidade de prescrições intercambiáveis, o farmacêutico ganha protagonismo na orientação ao cliente, o que devolve poder de barganha às redes varejistas na negociação com fornecedores. Essa diversificação de marcas, segundo a corretora, tende a beneficiar a rentabilidade das lojas.