Tradição centenária de Quilombo no RJ celebra resistência negra

Com mais de 150 anos, a tradição da Fogueira de Xangô em um quilombo do Rio de Janeiro celebra a resistência negra, memória ancestral e fortalece a comunidade com ações sociais.

Tradição centenária de Quilombo no RJ celebra resistência negra

A tradição centenária de acender uma fogueira em homenagem a São Pedro e São Paulo, que no sincretismo religioso representa o Orixá Xangô, continua viva no Quilombo Urbano Mineiro Pau, em Santa Cruz, zona oeste do Rio de Janeiro. Iniciada há mais de 150 anos por Manoel Caetano Madeira, um homem negro nascido escravizado, a prática servia como forma de manifestar crenças e fortalecer vínculos comunitários em tempos de repressão.

Manoel Madeira, mesmo sob o regime da escravidão, mantinha a fogueira como um ato de resistência cultural e espiritual. Após sua morte, a tradição foi passada para seu filho, Fausto Manoel Madeira, e posteriormente para seu neto, Fausto Manoel Madeira Neto, que hoje coordena a celebração no Terreiro de Umbanda São Pedro e São Paulo - Kabiúna do Sertão.

A fogueira, que ocorre anualmente em 29 de junho, transcende a esfera familiar e se configura como um patrimônio vivo. Além de preservar a memória e afirmar a ancestralidade, o evento impulsiona ações sociais no quilombo, como a distribuição diária de refeições e atividades educativas, incluindo a revitalizada dança folclórica afro-brasileira do Mineiro Pau.