Regina Casé: Diversidade na TV gerou ataques e fama de antipática
Regina Casé atribui fama de antipática a críticas recebidas por dar protagonismo a diversidade no 'Esquenta!'. Personagem de novela ajudou a amenizar imagem.

A renomada apresentadora Regina Casé, aos 72 anos, abordou a fama de antipática que, segundo ela, foi intensificada pelas escolhas de diversidade em seu programa "Esquenta!". Exibido pela TV Globo na década de 2010, o "Esquenta!" deu voz e protagonismo a grupos historicamente marginalizados na mídia, como pessoas negras, da comunidade LGBTQIA+ e moradores de periferia. Essa abordagem, conforme Casé relatou em entrevista recente, provocou uma onda de críticas de setores mais conservadores da audiência, que a levaram a ser vista como uma figura distante e desagradável.
## O impacto do "Esquenta!"
Regina Casé explicou que o programa se tornou um "ralo" para o preconceito e o ódio direcionados a essas representações na televisão. "Foi muito duro um período, eu admito. Era muito violento", desabafou a apresentadora, lembrando que, em vez de apresentar figuras consideradas mais palatáveis pela audiência conservadora, como casais gays loirinhos, ela optou por dar espaço a histórias reais e menos convencionais, como a de um casal de cortadoras de cana do sertão.
O "Esquenta!", que esteve no ar entre 2011 e 2017, tinha como proposta levar a cultura popular das ruas para a televisão aberta. O programa dominical celebrava o samba, o pagode, o funk e personagens emblemáticos dos subúrbios, com a participação de garis, pessoas trans, rappers e trabalhadores rurais dividindo o palco com artistas consagrados da emissora. Nomes como Arlindo Cruz, Péricles, Xande de Pilares e Mumuzinho eram anfitriões fixos, recebendo frequentemente convidados como Zeca Pagodinho e Preta Gil.
## A redenção com Dona Lourdes
A apresentadora revelou que a personagem Dona Lourdes, interpretada por ela na novela "Amor de Mãe" (2019-2020), ajudou a suavizar essa imagem negativa. A doçura e a acolhida da personagem permitiram que o público a visse sob uma nova perspectiva, distanciando-a da figura que comandava o "Esquenta!". "Eu digo que a dona Lourdes me ajudou muito. Ela veio para limpar minha barra um pouco e eu dar uma respirada", comentou Casé, destacando que, na dramaturgia, é a personagem que está em evidência, não a atriz.
Atualmente, Regina Casé sente que a recepção do público é mais amena. Ela se surpreende ao ler comentários que a acusam de tratar as pessoas de forma diferente nos bastidores. A experiência com o "Esquenta!" e a subsequente interpretação de Dona Lourdes ilustram como a representatividade na mídia pode gerar debates acalorados e como a percepção pública de uma figura midiática pode ser moldada por diferentes papéis e contextos.