Belchior ganha nova vida com relançamento de álbum cult de 1988

Álbum 'Elogio da Loucura' de Belchior, de 1988, é relançado em vinil. Disco traz referências a Bob Dylan, Freud e Martin Luther King Jr.

Belchior ganha nova vida com relançamento de álbum cult de 1988

A obra de Belchior, um dos nomes mais icônicos da música brasileira, volta a ganhar destaque com a reedição em LP do seu 11º álbum, "Elogio da Loucura". Lançado originalmente em 1988, o disco, que na época contou com produção musical de Antonio Foguete e selo PolyGram, agora é disponibilizado em uma nova versão em vinil fumê translúcido. Este relançamento oferece aos admiradores do artista cearense a oportunidade de mergulhar em um trabalho menos conhecido de sua discografia, frequentemente ofuscado pela "década áurea" dos anos 1970, período em que Belchior consolidou sua carreira.

"Elogio da Loucura" traz dez faixas inteiramente autorais, mas nenhuma delas alcançou o mesmo nível de popularidade de seus sucessos anteriores. A sonoridade eletrônica característica dos anos 80, que embalou o álbum, pode ter sido um dos fatores que o distanciou da essência mais conhecida de Belchior. No entanto, a força crítica e a acidez lírica do compositor permanecem evidentes em canções como "Balada de Madame Frigidaire", "Kitsch metropolitanus" e "Os Profissionais".

## Referências Culturais e Literárias

As letras de "Elogio da Loucura" são ricas em citações e homenagens a figuras proeminentes da cultura e do pensamento mundial. Belchior tece versos que dialogam com nomes como Bob Dylan e Martin Luther King Jr., além de revisitar poetas brasileiros como Álvares de Azevedo, cujo título de sua antologia de 1853, "Lira dos Vinte Anos", foi emprestado para uma das composições. A parceria com Francisco Casaverde rendeu "Lira dos Vinte Anos" e "Amor de Perdição", esta última inspirada no clássico literário de Camilo Castelo Branco.

O álbum também destaca a colaboração de Belchior com o conterrâneo Graco (Graccho Silvio Braz Peixoto da Silva), com quem assinou quatro das dez faixas. "Tambor Tantã", "No Maior Jazz", "Recitanda" – que inclui trechos de sucessos dos anos 70 – e "Arte Final" (esta última em coautoria com Jorge Mello) compõem esse bloco. "Elogio da Loucura" foi lançado um ano após "Melodrama" (1987), disco que marcou o retorno de Belchior à gravadora responsável por "Alucinação" (1976), álbum que o consagrou e que em 2026 completará 50 anos.

Belchior, falecido em 2017, é lembrado por sua obra profunda e reflexiva, marcada por um olhar crítico sobre a sociedade e a condição humana. A reedição de "Elogio da Loucura" não apenas celebra um trabalho específico, mas reforça o legado de um artista que, apesar de "cansado do peso da própria cabeça", como sugerem suas canções, garantiu sua imortalidade na música brasileira.