Primeiro osso de dinossauro achado na Antártida estava esquecido

Primeiro fóssil de dinossauro achado na Antártida, uma vértebra de Titanossauro esquecida por décadas, revela que o continente abrigava florestas e herbívoros há 82 milhões de anos.

Primeiro osso de dinossauro achado na Antártida estava esquecido

Um fragmento ósseo que passou décadas esquecido em uma gaveta de coleções científicas foi finalmente identificado como o primeiro resto de dinossauro já encontrado na Antártida. A descoberta, uma vértebra de um saurópode herbívoro de pescoço comprido, lança luz sobre a antiga biodiversidade do continente gelado e a movimentação desses gigantes pré-históricos.

O fóssil foi coletado em 1985 por uma expedição do British Antarctic Survey (BAS), mas na época foi incorretamente classificado como pertencente a um grande réptil. A peça só foi reexaminada e corretamente identificada mais de trinta anos depois, em 2023, por Mark Evans, paleontólogo e gerente das coleções geológicas da BAS. "Parece estranho, eu só precisava ter certeza de que era o que eu pensava que era", declarou Evans.

## Um Gigante Herbívoro na Terra do Gelo

A vértebra pertence a um Titanossauro, um grupo de saurópodes conhecidos por seu longo pescoço e por estarem entre os maiores animais terrestres que já existiram. Os Titanossauros podiam pesar cerca de 15 toneladas métricas e atingir até 37 metros de comprimento. No entanto, a vértebra antártica em questão, com cerca de 10 centímetros de diâmetro, indica um indivíduo jovem ou de porte menor, com estimativa de 6 a 7 metros de comprimento.

"À primeira vista, este parece ser um fóssil comum, mas ocupa um lugar importante na história da exploração da Antártida, sendo o primeiro fóssil de dinossauro encontrado no continente", explicou Paul Barrett, pesquisador do Museu de História Natural de Londres. A descoberta confirma que dinossauros saurópodes viveram na região há aproximadamente 82 milhões de anos, durante o período Cretáceo Superior.

## Antártida: Um Refúgio Temperado

Naquela época, a Antártida era muito diferente do que conhecemos hoje. O continente era coberto por florestas temperadas exuberantes, que ofereciam abundante alimento para grandes herbívoros como os Titanossauros. A presença desses animais no extremo sul do planeta amplia a compreensão sobre a dispersão dos dinossauros pelos continentes.

"Durante o período Cretáceo, quando esse animal viveu, a Antártida fazia parte do supercontinente Gondwana, e essa nova descoberta mostra que seus parentes próximos viajaram entre a América do Sul e a Austrália através da Antártida", detalhou Samantha Beeston, coautora do estudo. O achado demonstra que os dinossauros habitaram todos os continentes da Terra.

## O Valor das Coleções Científicas

A descoberta ressalta a importância de coleções científicas bem preservadas e organizadas. Roy Smith, professor de paleontologia da Universidade de Portsmouth, que não participou da pesquisa, comentou que o fóssil, apesar de ser uma única vértebra, possui uma importância imensa. "Isso também destaca o valor científico duradouro de coleções de museus cuidadosamente selecionadas, que continuam a gerar descobertas extraordinárias décadas após a coleta inicial dos espécimes", afirmou.

Com as mudanças climáticas causando o recuo do gelo na Antártida, os cientistas esperam que mais fósseis sejam descobertos, revelando ainda mais sobre a biodiversidade passada do continente. A expectativa é que futuras escavações tragam à luz outros restos de dinossauros, enriquecendo nosso conhecimento sobre a vida na Terra há milhões de anos.