Transporte público consome 18% do salário mínimo no DF
Estudo da UnB revela que famílias do DF gastam até 18% do salário mínimo com transporte público, impactando o orçamento e sugerindo tarifa zero como política de renda.

Famílias do Distrito Federal destinam até 18,4% de sua renda mensal ao pagamento de passagens de ônibus, um custo que pode atingir R$ 260 por mês ou R$ 3.120 anualmente. Essa quantia é suficiente para a aquisição de até oito cestas básicas econômicas ou cerca de 17 kg de frango. A pesquisa, conduzida por estudiosos da Universidade de Brasília (UnB), aponta que o deslocamento é essencial para a maioria dos trabalhadores e que a tarifa de transporte funciona como um "imposto de circulação".
Os pesquisadores sugerem que a implementação da tarifa zero, além de ser uma política de mobilidade, poderia funcionar como ferramenta de distribuição de renda, reduzindo desigualdades e impulsionando a economia local. Um estudo propõe um modelo de financiamento nacional baseado em contribuições de empregadores, com o objetivo de redistribuir aproximadamente R$ 2,78 bilhões por ano para a população do DF e Entorno.
Dados do IBGE indicam que 40,8% dos moradores do DF possuem renda domiciliar per capita de até um salário mínimo. Para esses, o gasto com transporte público representa um peso significativo no orçamento, limitando o acesso a outros bens e serviços essenciais. O governo local informou a criação de um Grupo de Trabalho para analisar a gratuidade do transporte aos domingos e feriados, além de estudos para otimizar a gestão tarifária.