Pedestres em Campo Grande: Travessia de Risco Diário
Pedestres em Campo Grande enfrentam riscos diários para atravessar ruas devido à sinalização insuficiente, desrespeito de motoristas e falta de fiscalização. O problema afeta tanto bairros afastados quanto vias centrais movimentadas.

A travessia de ruas em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, tem se tornado um desafio diário e perigoso para os pedestres. Em diversas regiões da capital, a combinação de sinalização inadequada, desatenção de motoristas e ausência de fiscalização transforma o ato de cruzar uma via em uma situação de risco iminente. O problema se agrava nos bairros mais distantes do centro, onde a infraestrutura para quem anda a pé é ainda mais precária.
## Falta de Respeito e Sinalização Deficiente
Mesmo em locais onde existem faixas de pedestres e radares, a preferência de quem está a pé é frequentemente ignorada. Relatos de moradores indicam que motoristas, muitas vezes, não param para permitir a passagem, forçando os pedestres a aguardar longos períodos ou a arriscar atravessar com o fluxo de veículos. Ana Geise Arruda, 59 anos, relata que evita usar a faixa de pedestres em frente ao Shopping Campo Grande, na Avenida Afonso Pena, um dos corredores mais movimentados da cidade. "Nunca atravesso nessa faixa de pedestre, porque os motoristas não respeitam, não param", desabafa.
Juscilene Gill, 51 anos, diarista, enfrenta dificuldades semelhantes no cruzamento da Eduardo Elias Zahran com a Rua Domingos Marques, no Jardim Alegre. Ela descreve que a travessia na faixa nem sempre garante segurança, com motoristas parando e outros seguindo adiante sem hesitar. "Às vezes um motorista para e o outro não. Eu prefiro olhar para o condutor e fazer sinal antes de atravessar, para ter certeza de que ele está me vendo", conta, ressaltando que a pressa de alguns condutores, incluindo motociclistas e motoristas de caminhão, aumenta a sensação de insegurança, especialmente nos horários de pico.
## Pontos Críticos e Conversões Irregulares
A situação se agrava em cruzamentos onde a sinalização é ainda mais falha. No cruzamento da Rua da Divisão com a Rua Rachel de Queiroz, a ausência de faixas de pedestres é notória. Adicionalmente, motoristas realizam conversões irregulares à esquerda, contrariando a proibição e aumentando o perigo para os transeuntes. Nilson do Amaral Romin, 50 anos, morador da região há uma década, descreve o trajeto diário como "muito difícil" devido à má sinalização e à falta de estrutura. "Aqui não tem faixa, não tem nada. A rua é muito mal sinalizada. Nos horários de pico fica ainda mais complicado", afirma.
No cruzamento das avenidas Costa e Silva e Eduardo Elias Zahran, na Vila Olinda, a conversão livre à direita também gera preocupação. Hermando José Horácio, 63 anos, taxista há 35 anos, observa que muitos condutores ignoram a presença de pedestres. "Eu respeito. Quando vejo um pedestre querendo atravessar, eu paro e seguro o trânsito. Tem gente que até agradece", relata, destacando que costuma usar o pisca-alerta para alertar outros motoristas sobre a necessidade de atenção.
## Resposta das Autoridades
A Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) foi procurada para comentar as intervenções que poderiam ser realizadas para melhorar a segurança dos pedestres em Campo Grande. No entanto, até o fechamento desta reportagem, a agência não havia se pronunciado sobre possíveis medidas.