Google usa IA para otimizar semáforos em São Paulo

Google implementa IA em semáforos de São Paulo com projeto Green Light. Objetivo é reduzir congestionamentos, poluição e tempo perdido no trânsito da capital paulista.

Google usa IA para otimizar semáforos em São Paulo

A inteligência artificial do Google agora atua nos semáforos de São Paulo. O Projeto Green Light, iniciativa global lançada em 2023, desembarcou na capital paulista em parceria com a Prodam e com suporte técnico da CET. O objetivo é analisar o fluxo de veículos e propor ajustes nos tempos dos semáforos, visando um trânsito mais fluido e eficiente.

São Paulo se torna a quarta cidade brasileira a receber o projeto, juntando-se a Rio de Janeiro, Campinas e São Caetano do Sul. A escolha da metrópole paulistana não é por acaso: a cidade ostenta a maior frota do país, com aproximadamente 9,9 milhões de veículos registrados, sem contar os que circulam de municípios vizinhos. Essa frota massiva, distribuída por uma malha viária extensa, gera desafios constantes de mobilidade urbana.

## Como a IA otimiza o tráfego

O Green Light não assume o controle direto da rede semafórica. Em vez disso, a tecnologia utiliza dados agregados de mobilidade e inteligência artificial para identificar padrões de trânsito, como cruzamentos com excesso de freadas, arrancadas e interrupções desnecessárias. Com base nessa análise, o sistema sugere modificações na temporização dos semáforos. As equipes públicas responsáveis pela operação do trânsito avaliam e implementam essas recomendações.

A IA foca em identificar trechos onde os motoristas percorrem distâncias curtas antes de parar novamente, enfrentando uma sucessão de sinais vermelhos desalinhados. A proposta é criar "ondas verdes" mais eficazes, quebrando o ciclo de "para e anda" que tanto prejudica o fluxo em corredores saturados.

## Impacto na poluição e no cotidiano

Semáforos mal sincronizados não apenas prolongam o tempo de deslocamento, mas também intensificam a poluição. Cada parada e arrancada, além do tempo em marcha lenta, eleva o consumo de combustível e a emissão de gases poluentes, como o CO₂. Em São Paulo, com seu imenso volume de veículos, o trânsito lento agrava esse cenário, fazendo com que milhares de carros emitam mais poluentes por quilômetro rodado devido à descontinuidade do fluxo.

O Green Light promete não acabar com o trânsito, mas sim mitigar parte da ineficiência que torna a rotina urbana mais desgastante, cara e poluente. A expectativa é de viagens um pouco mais previsíveis, menor estresse ao volante, economia de combustível e deslocamentos mais suaves. Para o transporte público, a melhor coordenação dos sinais pode significar mais regularidade e menos atrasos. A iniciativa aposta em otimizar a infraestrutura existente com o uso de dados e IA, antes mesmo de pensar em novas obras.