Avenida Litorânea em RN sofre com alagamentos crônicos

Alagamentos crônicos na Avenida Litorânea (RN-303) causam transtornos há décadas. Moradores, comerciantes e turistas sofrem com a via alagada em períodos chuvosos, e órgãos públicos trocam ofícios sem solução definitiva.

Avenida Litorânea em RN sofre com alagamentos crônicos

A Avenida Litorânea (RN-303), importante via que conecta Natal a destinos turísticos do Litoral Norte potiguar, como a Praia de Santa Rita e o Santuário das Dunas de Genipabu, volta a ser palco de transtornos devido a alagamentos recorrentes. O problema, que se arrasta por mais de 30 anos, agrava-se a cada período chuvoso, impactando negativamente a rotina de moradores, o funcionamento de estabelecimentos comerciais e a experiência de turistas na região.

O último final de semana foi marcado por fortes chuvas na Grande Natal, que transformaram trechos da avenida em verdadeiros espelhos d'água. Maria Aparecida dos Santos, proprietária de um restaurante próximo ao Aquário Natal, relata que seu estabelecimento é frequentemente invadido pela água que empoça na pista. "No domingo, ficou tudo cheio de água. E é claro que ninguém vem para um estabelecimento nessas condições", lamenta a comerciante, que há três décadas enfrenta a mesma situação.

Para os profissionais do turismo, como bugueiros que atuam na área há mais de 20 anos, os alagamentos geram uma má impressão nos visitantes. Romildo Câmara, bugueiro de 52 anos, conta que os turistas chegam a pensar que se trata de água de esgoto, gerando preocupação. "Eles ficam com uma impressão muito ruim", afirma.

O transporte por aplicativo também sofre com a condição precária da via. Erinaldo Mendonça, motorista da área, declara que tenta evitar a Avenida Litorânea sempre que possível. "A área vira um açude e ninguém quer colocar o carro em uma pista que está numa situação dessas", explica.

Hertz Medeiros, vice-presidente do Sindicato dos Bugueiros Profissionais do RN (Sindbuggy), destaca o prejuízo para o turismo, setor vital para a economia local. "Quem perde com isso é nosso setor. No ano passado, 300 mil turistas passaram naquela rodovia, então, a impressão que fica de tudo isso não é nada boa", pontua, lembrando que equipamentos de turistas podem ser danificados pela água.

A falta de estrutura para o escoamento da água é apontada como a causa principal do problema. Maria José dos Santos menciona uma "briga" entre a Prefeitura de Extremoz e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) como um entrave para a solução definitiva. "A gente é quem sofre", desabafa.

Em resposta, o DER informou que as galerias da Avenida Litorânea sofrem com obstruções devido à falta de drenagem e pavimentação nas ruas adjacentes. O órgão aguarda o fim da quadra chuvosa para realizar os serviços de desobstrução, pois as chuvas recorrentes impedem a execução do trabalho. O DER também mencionou ter recebido representantes da comunidade local, que se comprometeram a apresentar um projeto para aprovação da Prefeitura de Extremoz.

A Prefeitura de Extremoz, por sua vez, declarou ter enviado um ofício ao DER solicitando melhorias e a construção de dispositivos ao longo da RN-303, visando aprimorar o escoamento da água e beneficiar áreas com "ocupação consolidada" no entorno da rodovia.