Lula e Bolívia aceleram acordo de gás natural
Brasil e Bolívia avançam em acordo para exploração de gás natural entre Petrobras e YPFB. Presidentes Lula e Paz se reuniram no Paraguai e discutiram também a crise política boliviana.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta terça-feira (30) que Brasil e Bolívia intensificarão as negociações para firmar acordos entre a Petrobras e a estatal boliviana YPFB, focando na área de extração de gás natural. O compromisso foi firmado após uma reunião bilateral com o presidente boliviano, Rodrigo Paz, durante a cúpula do Mercosul, realizada em Assunção, no Paraguai.
De acordo com o presidente brasileiro, um passo concreto será dado ainda nesta semana. Uma comitiva ministerial da Bolívia viajará ao Rio de Janeiro para se reunir com Magda Chambriard, presidenta da Petrobras. O objetivo principal do encontro será discutir os detalhes técnicos e comerciais para a exploração conjunta de gás natural.
Além das questões energéticas, o encontro entre Lula e Paz abordou a delicada crise política que o país vizinho atravessa. O presidente boliviano compartilhou com Lula a importância do posicionamento público do Brasil em defesa da democracia e da busca por soluções pacíficas e sem violência para as divergências internas. Paz também expressou gratidão pelo apoio humanitário enviado pelo governo brasileiro, que incluiu gêneros alimentícios e medicamentos.
Contexto da crise boliviana
A Bolívia tem enfrentado uma onda de protestos e bloqueios de estradas desde abril, com manifestantes exigindo a renúncia do presidente Paz. Essas manifestações causaram desabastecimento de itens essenciais como alimentos, combustíveis e medicamentos em diversas regiões do país. Em resposta à gravidade da situação e após contato telefônico com o presidente boliviano, Lula determinou o envio de suprimentos para auxiliar a população afetada.
O presidente Lula participou ainda, na mesma terça-feira, da sessão plenária dos líderes do Mercosul. Em seu discurso, ele enfatizou a necessidade de fortalecer a autonomia do bloco sul-americano. Lula defendeu que nenhum país detém o monopólio sobre a região e que a maior liberdade de ação para os membros do Mercosul advém do fortalecimento interno e não de alinhamentos externos ou escolhas exclusivas.