Gestão Pública: Ancine Inova e Destrava Máquina Administrativa
Agência Nacional do Cinema (Ancine) inova com cooperação e tecnologia, resolvendo passivo histórico e gerando economia de R$ 1,4 bilhão. Modelo de gestão é referência para o país.

A administração pública brasileira enfrenta um desafio de paralisia gerada pelo receio de responsabilização, descrito pelo ministro do TCU Bruno Dantas como "infantilização da gestão pública". Essa inércia resulta em desperdício de recursos e oportunidades perdidas. Um exemplo notório é a Agência Nacional do Cinema (Ancine), que por uma década sofreu com insegurança jurídica e burocracia excessiva. O cenário mudou com a adoção de um novo paradigma: o consensualismo e a cooperação institucional, afastando o isolamento e o conflito.
Através do projeto Malha Fina Ancine, uma parceria entre a agência, a Controladoria-Geral da União e o TCU, o passivo de prestações de contas foi drasticamente reduzido. Utilizando aprendizado de máquina e análise de risco, 92% do estoque histórico foi resolvido, uma tarefa que, sem o novo modelo, levaria 41 anos. A economia estimada para os cofres públicos ultrapassa R$ 1,4 bilhão, com ganhos de previsibilidade para o setor audiovisual.
O sucesso da Ancine demonstra que controle e fiscalização podem coexistir com inovação. A cooperação institucional e a transparência são apontadas como chaves para destravar a máquina administrativa, substituindo a cultura de disputa por consenso e a opacidade por clareza nas decisões públicas.