Fertilizantes em queda livre: Preços voltam a patamares pré-guerra e animam safra brasileira
Preços de fertilizantes nitrogenados caem para patamares pré-guerra no Oriente Médio, aliviando produtores brasileiros de milho. Fertilizantes fosfatados seguem caros.

Os preços dos fertilizantes nitrogenados desabaram, retornando aos níveis observados antes do conflito no Oriente Médio. Essa reviravolta é impulsionada pela expectativa de avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã, além da reabertura do Estreito de Ormuz. A tonelada de ureia, que chegou a custar US$ 800, agora é negociada em torno de US$ 400, representando um alívio significativo para os produtores brasileiros.
Essa redução abre uma janela de oportunidade para que agricultores, especialmente os focados na cultura do milho, comecem a repor seus estoques com custos mais baixos. Tomás de Pernias, analista de inteligência de mercado da StoneX, destaca que este é um momento oportuno para negociar preços mais atrativos, diminuindo o risco e aumentando as chances de compras vantajosas para as próximas safras.
## Cenário Divergente para Diferentes Culturas
No entanto, a queda nos preços não se estende uniformemente a todos os tipos de fertilizantes do complexo NPK. Para os produtores de soja, que dependem majoritariamente de fertilizantes fosfatados, o cenário permanece desafiador. Pernias explica que a oferta e a demanda por esses insumos continuam em um equilíbrio apertado, e os custos do enxofre seguem elevando as despesas de produção.
O analista aponta que importadores brasileiros que retornarem ao mercado nas próximas semanas encontrarão cotações mais baixas para fertilizantes nitrogenados. Em contrapartida, a situação para os fosfatados deve se manter complexa, com relações de troca entre a soja e o MAP (Fosfato Monoamônico) em níveis historicamente desfavoráveis.
## Cautela e Fatores de Risco
Atualmente, a demanda por fertilizantes nitrogenados encontra-se enfraquecida, reflexo das quedas de preço recentes. Os compradores demonstram cautela, preferindo aguardar antes de realizar novas aquisições. Pernias adverte, contudo, que essa tendência pode ser revertida.
Um eventual aumento na demanda, o surgimento de novas restrições logísticas ou a ressurgência de tensões geopolíticas no Oriente Médio têm o potencial de reverter o atual movimento de queda nos preços. Os níveis atuais já espelham os valores pré-conflito, mas a volatilidade do mercado e do cenário internacional exige atenção contínua dos produtores.