Cajucultura Potiguar: RN Lidera Crescimento e Busca Salto de Valor

Cajucultura potiguar vive momento de expansão com alta produtividade e foco em agregar valor. Estado lidera crescimento nacional e busca fortalecer exportações, impulsionado por iniciativas como a Indicação Geográfica e projetos de revitalização.

Cajucultura Potiguar: RN Lidera Crescimento e Busca Salto de Valor

A cajucultura, atividade enraizada no Rio Grande do Norte desde a década de 1970, encontra-se em um momento crucial para alçar voos mais altos. A resiliência da planta, adaptada às condições do semiárido nordestino, tem sido um trunfo histórico, especialmente em períodos de estiagem severa, quando outras culturas sofrem perdas expressivas. Dados da Embrapa indicam que o cajueiro pode ser integrado à produção de forragem animal, diversificando a renda do produtor e promovendo melhorias no solo.

Além da resistência, o aspecto econômico da cajucultura potiguar é notável. A castanha de caju se desdobra em amêndoas beneficiadas, enquanto o pedúnculo abastece a indústria de sucos, polpas, cajuína e o consumo in natura. Estudos da Revista Econômica do Nordeste (BNB) apontam que a exploração conjunta desses subprodutos gera rentabilidade superior a diversas aplicações financeiras e do agronegócio regional.

## Serra do Mel: Um Polo de Destaque

O município de Serra do Mel, autoproclamada Capital da Castanha, exemplifica o sucesso da atividade. Com aproximadamente 13 mil hectares cultivados, a cidade registrou em 2023 um Produto Interno Bruto (PIB) per capita de R$ 52,3 mil, um dos mais elevados do Rio Grande do Norte, segundo o IBGE. A cadeia produtiva do caju impulsiona agroindústrias, gera empregos e fortalece o cooperativismo na região.

O Rio Grande do Norte tem demonstrado uma vocação precoce para a cajucultura. A Embrapa, durante a Expofruit 2025, apresentou dados que colocam o estado como o líder em crescimento na cajucultura brasileira entre 2020 e 2024. A produtividade potiguar também se sobressai: em 2023, alcançou 550 quilos de amêndoa por hectare, superando a média nordestina de 290 quilos.

## Desafios e Oportunidades no Mercado

Apesar do desempenho expressivo, a castanha de caju ainda representa uma parcela modesta nas exportações do Rio Grande do Norte. Contudo, o mercado internacional apresenta um vasto potencial de crescimento. O Vietnã, principal player global na exportação de amêndoas beneficiadas, movimentou mais de US$ 5 bilhões em 2025, sinalizando a força e a demanda global pelo produto.

Em resposta a esse cenário, o Sebrae-RN expande seu Projeto de Revitalização da Cajucultura, utilizando clones desenvolvidos pela Embrapa. A iniciativa, que já atende 200 produtores em Ceará Mirim, Apodi e Mossoró, com 2.000 hectares, tem previsão de alcançar 800 produtores e mais de 4.000 hectares revitalizados até o final de 2026. O projeto foca em mudas de alta qualidade, assistência técnica, gestão aprimorada e acesso facilitado a mercados.

A conquista da Indicação Geográfica (IG) pelo INPI para a castanha de Serra do Mel fortalece sua reputação tanto no mercado nacional quanto internacional. Paralelamente, um projeto-piloto de agricultura regenerativa está em andamento em Serra do Mel. O caminho para agregar valor, aprimorar o beneficiamento e desenvolver novos produtos está traçado. Com um território propício, um produto com demanda e produtores capacitados, o Rio Grande do Norte está posicionado para dar o salto que a cajucultura potiguar almeja.